PNADC – Divulgações mensais (2021)

Por: Vicente Loeblein Heinen[1]

Esta página apresenta um acompanhamento dos principais destaques das divulgações mensais (trimestres móveis) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE, ao longo de 2021. Um resumo da estrutura da PNADC pode ser conferido neste link. Para um maior detalhamento da metodologia e dos indicadores da Pesquisa, clique aqui. Os acompanhamentos mensais referentes a 2020 podem ser conferidos nesta página.


Mar-Abr-Mai/2021

Desocupação:

  • taxa de desemprego ficou em 14,6%, levemente abaixo do recorde histórico (14,7%). Esse percentual representa uma alta de 0,2 p.p. com relação ao trimestre anterior e de 1,7 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020, quando os efeitos da pandemia da Covid-19 já eram bastante visíveis no mercado de trabalho brasileiro. Ao longo dos últimos 12 meses, a população desocupada aumentou em 2,1 milhões, totalizando 14,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em maio de 2021.

Ocupação:

  • A população ocupada voltou a apresentar retomada no último trimestre, aumentando em 800 mil pessoas (variação de 0,9%). Apesar disso, o Brasil ainda acumula um déficit de 5,5 milhões de postos de trabalho na comparação com o período anterior à pandemia. A tendência é que, mesmo que o emprego siga crescendo, esse grande déficit ocupacional não seja sanado nos próximos trimestres.

Força de trabalho:

  • O retorno da população ao mercado de trabalho voltou a acelerar no trimestre encerrado em maio, registrando alta de 1,2 milhões de pessoas. Esse movimento ainda reflete a perda de ocupações e/ou de condições de permanecer procurando trabalho que se agravaram ao longo de 2020. Nesse sentido, nota-se que a taxa de participação na força de trabalho subiu para 57,2%, todavia ainda permanece relativamente baixa na comparação com o período pré-pandemia, quando se situava ao redor dos 62%.

Subutilização da força de trabalho:

  • O “retorno do retorno” da população ao mercado de trabalho provocou uma redução considerável na força de trabalho potencial (pessoas que desejariam trabalhar, mas não procuraram emprego ou não puderam assumir uma vaga), que diminiu em 540 mil pessoas. Entretanto, houve um aumento nas duas outras medidas de subutilização. Além dos 370 mil novos desempregados, a população subocupada registrou novo aumento, dessa vez de 470 mil pessoas. Com isso, a subutilização da força de trabalho (que engloba essas três medidas) segue muito próxima da máxima histórica, abrangendo um total de 33 milhões de pessoas, o que representa uma taxa de 29,3%.

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • Dentre as posições na ocupação do mercado de trabalho brasileiro, há somente uma que se pode afirmar com certeza que já recuperou as perdas ocorridas no início da pandemia: os trabalhadores por conta própria. A exemplo do que ocorreu nas últimas divulgações, essa categoria registrou mais uma alta expressiva, incorporando mais 720 mil pessoas no trimestre encerrado em maio. No acumulado de 12 meses, o Brasil já soma 2 milhões de novos trabalhadores por conta própria. A esmagadora maioria deles (1,6 milhões) trabalham sem CNPJ, o que por si só já indica o caráter precário dessas ocupações. Além disso, houve um pequeno crescimento trimestral apenas entre os trabalhadores domésticos, os empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada e os empregados do setor público. Por outro lado, houve perdas expressivas entre os servidores públicos estatutários (-150 mil) e os empregadores (-140 mil). No acumulado de 12 meses, as maiores perdas seguem sendo a dos empregados no setor privado com carteira assinada. Tais resultados contrastam enormemente com a retomada do emprego formal apontada pelo Novo Caged, tornando a análise dos resultados de ambas as bases de dados bastante incertas.

Setor de atividade econômica:

  • As ocupações por conta própria geradas no trimestre estão associadas principalmente a saldos positivos nos serviços prestados às empresas (410 mil ocupações), na agropecuária (170 mil) e na construção (180 mil). A indústria segue com tímido saldo positivo, retomando 80 mil vagas. Além disso, destaca-se a retomada do emprego no ramo da educação. As maiores perdas concentraram-se novamente no setor de comércio (-290 mil ocupações) e, em menor medida, nos serviços pessoais (-80 mil). No acumulado de 12 meses, os maiores déficits concentram-se no comércio, nos serviços de alojamento e alimentação, e nos serviços pessoais.

Rendimentos do trabalho:

  • Apesar do aumento no nível de ocupação, a massa de rendimentos reais ficou estagnada no trimestre. Essa discrepância se deve à queda de 1,1% no rendimento médio real, que, por sua vez, está associada à baixa remuneração de grande parte das ocupações geradas no período e à retração do funcionalismo público.

Quadro Sintético


Fev-Mar-Abr/2021

Desocupação:

  • taxa de desemprego permaneceu no maior patamar da série histórica, na casa dos 14,7%. Esse percentual representa uma alta de 0,4 p.p. com relação ao trimestre anterior e de 2,1 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020, quando os primeiros efeitos da pandemia começaram a ser sentidos no mercado de trabalho brasileiro. Ao longo dos últimos 12 meses, a população desocupada aumentou em 2 milhões, totalizando 14,8 milhões de pessoas no trimestre encerrado em abril de 2021.

Ocupação:

  • A população ocupada permaneceu praticamente constante no último trimestre (variação de -0,1%). Esse esultado se deve às demissões sazonais geralmente captadas pela PNADC nos primeiros meses de cada ano e ao ritmo lento da retomada do emprego no país. Na comparação com o período pré-pandemia, o Brasil ainda acumula um déficit de 6,3 milhões de postos de trabalho. Nos próximos períodos, a tendência é que o emprego volte a crescer, todavia não em ritmo suficiente para sanar esse grande déficit ocupacional.

Força de trabalho:

  • A força de trabalho seguiu crescendo no trimestre encerrado em abril, registrando alta de 400 mil pessoas. Isso indica que a população que saiu do mercado de trabalho ao longo de 2020 segue gradualmente voltando a procurar emprego, seja pelo esgotamento de reservas monetárias e/ou do Auxílio Emergencial, pelo retorno de afastamentos ou pelo fim de benefícios como o seguro-desemprego, por exemplo. Apesar disso, a taxa de participação na força de trabalho ainda permanece relativamente baixa (56,9%, sendo 2,1 p.p. inferior à taxa do mesmo período de 2020 e 4,1 p.p. inferior à do período pré-pandemia).

Subutilização da força de trabalho:

  • A taxa de subutilização (medida que engloba desocupados, força de trabalho potencial e subocupados) segue em tendência de alta, atingindo 29,7% no último trimestre. Além do crescimento expressivo do desemprego, a categoria dos subocupados aumentou em 410 mil pessoas. Apesar da força de trabalho registrar leve queda (-30 mil pessoas), a parcela dessa população que se encontra em desalento (quando o motivo para a não procura de emprego é a falta de expectativa em encontrá-lo) segue crescendo. Com isso, o Brasil já conta com 6 milhões de desalentados, em um universo de 33,3 milhões de trabalhadores subutilizados.

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • As ocupações do mercado de trabalho brasileiro seguem concentrando-se na categoria dos trabalhadores por conta-própria, que incorporou mais 540 mil pessoas no trimestre encerrado em abril. Além desse grupo, houve um pequeno crescimento apenas entre os trabalhadores domésticos e os empregados no setor público com carteira de trabalho assinada. Em todas as demais categorias, o resultado foi negativo, ainda que sem grandes perdas. No acumulado de 12 meses, as maiores perdas seguem sendo a dos empregados no setor privado com carteira assinada, com déficit de 2,6 milhões de vagas. Esse saldo contrasta enormemente com a retomada do emprego formal apontada pelo Novo Caged, tornando a análise dos resultados de ambas as bases de dados bastante incertas.

Setor de atividade econômica:

  • As ocupações por conta própria geradas no trimestre estão associadas principalmente a saldos positivos nos serviços prestados às empresas (280 mil ocupações), na agropecuária (120 mil) e nos transportes (70 mil). Além disso, destaca-se que a indústria finalmente voltou a registrar saldo positivo, retomando 70 mil vagas. Esses resultados não se converteram em aumento do emprego no período devido à forte queda registrada no setor de comércio (-370 mil ocupações) e, em menor medida, na construção (-100 mil), no grupamento que engloba administração pública, saúde e educação (-90 mil) e nos serviços pessoais (-90 mil). No acumulado do ano, os maiores déficits concentram-se no comércio, nos serviços de alojamento e alimentação, e nos serviços pessoais.

Rendimentos do trabalho:

  • Apesar da estabilidade no nível de ocupação, a massa de rendimentos reais habitualmente recebidos caiu 1,8% no trimestre, acumulando queda anual de 5,4%. Essa discrepância se deve à queda de 1,7% no rendimento médio real, que, por sua vez, está associada à baixa remuneração de grande parte das ocupações recuperadas no período.

Quadro Sintético


Jan-Fev-Mar/2021

Desocupação:

  • A taxa de desemprego bateu mais um recorde consecutivo, atingindo 14,7% (maior patamar da série histórica iniciada em 2012). Esse percentual representa uma alta de 0,8 p.p. com relação ao trimestre anterior e de 2,5 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020. Esse resultado se deve à incorporação de 880 mil novos desocupados no 1º trimestre de 2021. Com isso, o Brasil já conta com 14,8 milhões de desempregados.

Ocupação:

  • Os resultados do 1º trimestre de 2021 indicam uma retomada da perda de empregos no Brasil. Diferentemente das divulgações anteriores, em que ainda se observava uma recuperação dos postos de trabalho perdidos na primeira metade de 2020, a população ocupada caiu 0,6% na última divulgação, o que representou a perda de 530 mil ocupações. Esse esultado se deve às demissões sazonais geralmente captadas pela PNADC nos primeiros meses de cada ano, somadas à tendência de desaceleração na retomada do emprego no país. Na comparação com o mesmo período de 2020, o Brasil ainda acumula um déficit de 6,6 milhões de vagas. Tomando a pior fase da crise da Covid-19 como referência, apenas 33% dos postos de trabalho perdidos foram recuperados até o momento.

Força de trabalho:

  • Apesar da queda no emprego, a força de trabalho seguiu crescendo no trimestre encerrado em março, com alta de 350 mil pessoas. Isso indica que os trabalhadores que perderam suas ocupações não estão mais deixando o mercado de trabalho, mas permanecendo nele na condição de desocupados. Dessa forma, a taxa de participação na força de trabalho permaneceu em 56,8%, sendo ainda 4,2 p.p. inferior à registrada no início de 2020.

Subutilização da força de trabalho:

  • A taxa de subutilização (medida que engloba desocupados, força de trabalho potencial e subocupados) segue tendência de alta, atingindo 29,7% no fechamento do 1º trimestre. Além do crescimento expressivo do desemprego, houve um aumento de 240 mil na população subocupada e de 50 mil pessoas na força de trabalho potencial. Quando se tem em vista somente a parcela desalentada da força de trabalho potencial (quando o motivo da não-procura por trabalho é a falta de expectativa em encontrar emprego), o aumento foi de 180 mil pessoas. Com isso, o Brasil já conta com 6 milhões de desalentados, em um universo de 33,2 milhões de pesssoas subutilizadas.

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • A queda na ocupação se deve às demissões de empregados dos setores público e privado. Com o encerramento de contratos temporários (principalmente na educação), foram fechadas 400 mil vagas na categoria dos empregados no setor público sem carteira de trabalho assinada, representando uma retração da ordem de 17%. Somado a isso, houve perda de 310 mil ocupações entre os empregados no setor privado com carteira e de 300 mil entre os sem carteira. Entre as categorias que permanecem em retomada, o destaque são os trabalhadores por conta própria, que aumentaram em 560 mil. Ainda que haja um considerável grau de incerteza nos dados da PNADC, esses resultados podem ser tomados como indicativos de que a retomada do emprego está se dando mediante um crescimento agudo da informalidade, em contraste com o que tem sido apontado pelo Novo Caged.

Setor de atividade econômica:

  • As ocupações por conta própria geradas no trimestre estão associadas principalmente a saldos positivos nos serviços prestados às empresas (130 mil ocupações) e nos transportes (60 mil). Já as demissões de empregados se deve principalmente à queda das ocupações no comércio (-290 mil) e do setor que abrange administração pública, saúde e educação (-180 mil), basicamente em função deste último ramo. Além disso, destaca-se que a indústria interrompeu sua trajetória de queda, permanecendo praticamente estagnada no trimestre. Com o recrudescimento da pandemia, os serviços pessoais e de alojamento e alimentação voltaram a apresentar fortes retrações, fechando 180 mil e 140 mil vagas, respectivamente. No acumulado do ano, os maiores déficits seguem acumulados no comércio, nos serviços de alojamento e alimentação e nos serviços domésticos.

Rendimentos do trabalho:

  • Puxada pela queda na ocupação, a massa de rendimentos reais habitualmente recebidos caiu 1,5% no trimestre, acumulando queda anual de 6,7%. O rendimento médio real recuou 0,9% no trimestre, todavia ainda acumula alta anual de 0,8% devido ao grande número de ocupações de baixa renda perdidas na fase mais aguda da crise.

Quadro Sintético


Dez-Jan-Fev/2021

Desocupação:

  • A taxa de desemprego bateu recorde na série histórica (iniciada em 2012), atingindo 14,4%. Esse percentual representa uma alta de 0,3 p.p. com relação ao trimestre anterior e de 2,7 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020. O aumento do desemprego se deve à lentidão na retomada das ocupações, em um contexto em que a procura por trabalho segue crescente. Com isso, a população desocupada cresceu em 400 mil pessoas no último trimestre, já abrangendo 14,4 milhões de brasileiros.

Ocupação:

  • Os resultados do trimestre encerrado em fevereiro atestam a tendência de desaceleração da retomada do emprego. Após crescer 4,5% no útimo trimestre de 2020, a população ocupada ficou praticamente estagnada na última divulgação (0,4%), com crescimento de apenas 320 mil vagas. Na comparação com fevereiro de 2020, o Brasil ainda acumula um déficit de 7,8 milhões de ocupações. Tomando a pior fase da crise da Covid-19 como referência, apenas 35% dos postos de trabalho perdidos foram recuperados até o momento.

Força de trabalho:

  • O ritmo de retorno da população ao mercado de trabalho também segue tendência de desaceleração, todavia não na mesma intensidade do indicador de ocupação. O crescimento da força de trabalho ainda foi expressivo no último trimestre, com alta de 700 mil pessoas. Dessa forma, a taxa de participação na força de trabalho ainda se encontra em 56,8%, sendo 4,9 p.p. menor do que a registrada no mesmo período de 2020.

Subutilização da força de trabalho:

  • A taxa de subutilização (medida que engloba desocupados, força de trabalho potencial e subocupados) voltou a crescer, ficando em 29,2%. Esse resultado se deve ao crescimento do desemprego, mas também da população subocupada, que aumentou em 180 mil pessoas. Embora a força de trabalho potencial (pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego ou não poderiam assumi-lo) tenha apresentado queda (-100 mil), houve uma mudança importante no interior dessa categoria, que é composta pelos desalentados (quando o motivo da não-procura por trabalho é a falta de expectativa em encontrar emprego) e os não-desalentados (demais casos). A população desalentada cresceu em 230 mil pessoas no trimestre, indicando que a insuficiência de vagas é um dos principais fatores para a desaceleração do retorno da população ao mercado de trabalho.

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • A desaceleração na retomada das ocupações é consequência de dois vetores opostos em termos das categorias do emprego. Por um lado, a categoria dos trabalhadores por conta própria segue trajetória de crescimento (saldo de 720 mil ocupações no trimestre), sendo acompanhada pela retomada do trabalho doméstico (120 mil). Por outro lado, o emprego formal voltou a apresentar resultados negativos. No trimestre encerrado em fevereiro, foram perdidos 390 mil empregos sem carteira no setor público (principalmente em razão do encerramento de contratos temporários na educação) e 270 mil empregos com carteira no setor privado. Ainda que haja um considerável grau de incerteza nos dados da PNADC, esses resultados podem ser tomados como indicativos de que a retomada do emprego está se dando mediante um crescimento agudo da informalidade, em contraste com o que tem sido apontado pelo Novo Caged.

Setor de atividade econômica:

  • As ocupações por conta própria geradas estão associadas a saldos positivos nos serviços prestados às empresas (150 mil ocupações), da  agropecuária (120 mil), da construção (90 mil), dos serviços pessoais (90 mil) e dos transportes (80 mil). Já a perda de empregos formais se deve principalmente à queda das ocupações nos setores da indústria (-120 mil), do comércio (-100 mil) e do grupo que abrange administração pública, saúde e educação (-60 mil), basicamente em função deste último ramo. No acumulado do ano, os maiores déficits seguem acumulados no comércio, nos serviços de alojamento e alimentação e na indústria, que perderam 2 milhões, 1,5 milhões e 1,3 milhões de vagas, respectivamente.

Rendimentos do trabalho:

  • Com a nova perda de empregos melhor remunerados e a retomada concentrada em atividades precárias, a massa de rendimentos reais habitualmente recebidos caiu 2,1% no trimestre, acumulando queda anual de 7,4%. No mesmo sentido, o rendimento médio real caiu 2,5% trimestre, todavia ainda acumula alta anual de 1,3% devido ao grande número de ocupações de baixa renda perdidas na fase mais aguda da crise.

Quadro Sintético


Nov-Dez-Jan/2021

Desocupação:

  • A taxa de desemprego ficou em 14,2%, representando estabilidade com relação ao trimestre anterior e uma alta de 3 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020. Diferentemente da divulgação anterior (out-nov-dez/2020), foi registrada uma elevação na população desocupada (em busca de trabalho), que já abrange 14,3 milhões de brasileiros (maior patamar da série histórica iniciada em 2012).

Ocupação:

  • Além de um novo aumento do desemprego, os resultados indicam uma desaceleração da retomada da população ocupada, que cresceu em 1,7 milhão no trimestre (variação de 2%, face a 4,5% da última divulgação). Com isso, o Brasil acumula um déficit anual de 8,1 milhões de ocupações.

Força de trabalho:

  • O ritmo de retorno da população ao mercado de trabalho também sofreu desaceleração, todavia não na mesma intensidade do indicador de ocupação. A força de trabalho aumentou em 1,9 milhão pessoas no trimestre, promovendo uma leve aumento na taxa de participação na força de trabalho, que foi de 56,8%.

Subutilização da força de trabalho:

  • A taxa de subutilização (medida que engloba desocupados, força de trabalho potencial e subocupados) apresentou leve queda, ficando em 28,7%. Esse resultado se deve principalmente à força de trabalho potencial  (pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego ou não poderiam assumi-lo), que diminuiu em 720 mil pessoas. Essa redução compensou tanto o aumento da população desocupada (210 mil), quanto subocupada (340 mil).

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • O aumento das ocupações se deu basicamente em razão dos novos trabalhadores por conta própria, que aumentaram em 1 milhão no trimestre, majoritariamente em ocupações sem CNPJ. Além disso, houve crescimento significativo apenas entre os empregados sem carteira no setor privado (340 mil), os servidores públicos estatutários (290 mil) e os trabalhadores domésticos sem carteira (210 mil). As demais categorias permaneceram praticamente estagnadas, inclusive os empregados com carteira no setor privado, que vinham apresentando sinais de recuperação nas divulgações anteriores. Esses resultados vão no sentido contrário das divulgações do Novo Caged, e indicam que a retomada do emprego está se dando mediante um crescimento agudo da informalidade.

Setor de atividade econômica:

  • O principal setor responsável pela atual fase de retomada são os serviços. Os maiores saldos do trimestre foram registrados nos serviços prestados às empresas (310 mil novas vagas), serviços domésticos (230 mil) e serviços de saúde, educação e administração pública (220 mil). Além disso, houve crescimento ainda na agropecuária (260 mil) e no comércio (210 mil). Apesar disso, o comércio segue com o maior déficit anual, acumulando a perda de quase 2 milhões de vagas. A segunda maior perda anual é a da indústria (-1,3 milhão), que ficou praticamente estagnada no trimestre.

Rendimentos do trabalho:

  • A massa de rendimentos habitualmente recebidos caiu 0,9% no trimestre, acumulando queda anual de 6,9%. Com a concentração da retomada das ocupações nas menores faixas de remuneração, o rendimento médio real caiu 2,9% trimestre, mesmo percentual da queda anual desse indicador.

Quadro Sintético


[1] Estudante de Economia na UFSC e bolsista do Necat. E-mail: vicenteheinen@gmail.com.