PNADC – Divulgações mensais (2021)

Por: Vicente Loeblein Heinen[1]

Esta página apresenta um acompanhamento dos principais destaques das divulgações mensais (trimestres móveis) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do IBGE, ao longo de 2021. Um resumo da estrutura da PNADC pode ser conferido neste link. Para um maior detalhamento da metodologia e dos indicadores da Pesquisa, clique aqui. Os acompanhamentos mensais referentes a 2020 podem ser conferidos nesta página.


Dez-Jan-Fev/2021

Desocupação:

  • A taxa de desemprego bateu recorde na série histórica (iniciada em 2012), atingindo 14,4%. Esse percentual representa uma alta de 0,3 p.p. com relação ao trimestre anterior e de 2,7 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020. O aumento do desemprego se deve à lentidão na retomada das ocupações, em um contexto em que a procura por trabalho segue crescente. Com isso, a população desocupada cresceu em 400 mil pessoas no último trimestre, já abrangendo 14,4 milhões de brasileiros.

Ocupação:

  • Os resultados do trimestre encerrado em fevereiro atestam a tendência de desaceleração da retomada do emprego. Após crescer 4,5% no útimo trimestre de 2020, a população ocupada ficou praticamente estagnada na última divulgação (0,4%), com crescimento de apenas 320 mil vagas. Na comparação com fevereiro de 2020, o Brasil ainda acumula um déficit de 7,8 milhões de ocupações. Tomando a pior fase da crise da Covid-19 como referência, apenas 35% dos postos de trabalho perdidos foram recuperados até o momento.

Força de trabalho:

  • O ritmo de retorno da população ao mercado de trabalho também segue tendência de desaceleração, todavia não na mesma intensidade. O crescimento da força de trabalho ainda foi expressivo no último trimestre, com alta de 700 mil pessoas. Dessa forma, a taxa de participação na força de trabalho ainda se encontra em 56,8%, sendo 4,9 p.p. menor do que a registrada no mesmo período de 2020.

Subutilização da força de trabalho:

  • A taxa de subutilização (medida que engloba desocupados, força de trabalho potencial e subocupados) voltou a crescer, ficando em 29,2%. Esse resultado se deve ao crescimento do desemprego, mas também da população subocupada, que aumentou em 180 mil pessoas. Embora a força de trabalho potencial (pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego ou não poderiam assumi-lo) tenha apresentado queda (-100 mil), houve uma mudança importante no interior dessa categoria, que é composta pelos desalentados (quando o motivo da não-procura por trabalho é a falta de expectativa em encontrar emprego) e os não-desalentados (demais casos). A população desalentada cresceu em 230 mil pessoas no trimestre, indicando que a insuficiência de vagas é um dos principais fatores para a desaceleração do retorno da população ao mercado de trabalho.

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • A desaceleração na retomada das ocupações é consequência de dois vetores opostos em termos das categorias do emprego. Por um lado, a categoria dos trabalhadores por conta própria segue trajetória de crescimento (saldo de 720 mil ocupações no trimestre), sendo acompanhada pela retomada do trabalho doméstico (120 mil). Por outro lado, o emprego formal voltou a apresentar resultados negativos. No trimestre encerrado em fevereiro, foram perdidos 390 mil empregos sem carteira no setor público (principalmente em razão do encerramento de contratos temporários na educação) e 270 mil empregos com carteira no setor privado. Ainda que haja um considerável grau de incerteza nos dados da PNADC, esses resultados podem ser tomados como indicativos de que a retomada do emprego está se dando mediante um crescimento agudo da informalidade, em contraste com o que tem sido apontado pelo Novo Caged.

Setor de atividade econômica:

  • As ocupações por conta própria geradas estão associadas a saldos positivos nos serviços prestados às empresas (150 mil ocupações), da  agropecuária (120 mil), da construção (90 mil), dos serviços pessoais (90 mil) e dos transportes (80 mil). Já a perda de empregos formais se deve principalmente à queda das ocupações nos setores da indústria (-120 mil), do comércio (-100 mil) e do grupo que abrange administração pública, saúde e educação (-60 mil), basicamente em função deste último ramo. No acumulado do ano, os maiores déficits seguem acumulados no comércio, nos serviços de alojamento e alimentação e na indústria, que perderam 2 milhões, 1,5 milhões e 1,3 milhões de vagas, respectivamente.

Rendimentos do trabalho:

  • Com a nova perda de empregos melhor remunerados e a retomada concentrada em atividades precárias, a massa de rendimentos reais habitualmente recebidos caiu 2,1% no trimestre, acumulando queda anual de 7,4%. No mesmo sentido, o rendimento médio real caiu 2,5% trimestre, todavia ainda acumula alta anual de 1,3% devido ao grande número de ocupações de baixa renda perdidas na fase mais aguda da crise.

Quadro Sintético


Nov-Dez-Jan/2021

Desocupação:

  • A taxa de desemprego ficou em 14,2%, representando estabilidade com relação ao trimestre anterior e uma alta de 3 p.p. na comparação com o mesmo período de 2020. Diferentemente da divulgação anterior (out-nov-dez/2020), foi registrada uma elevação na população desocupada (em busca de trabalho), que já abrange 14,3 milhões de brasileiros (maior patamar da série histórica iniciada em 2012).

Ocupação:

  • Além de um novo aumento do desemprego, os resultados indicam uma desaceleração da retomada da população ocupada, que cresceu em 1,7 milhão no trimestre (variação de 2%, face a 4,5% da última divulgação). Com isso, o Brasil acumula um déficit anual de 8,1 milhões de ocupações.

Força de trabalho:

  • O ritmo de retorno da população ao mercado de trabalho também sofreu desaceleração, todavia não na mesma intensidade. A força de trabalho aumentou em 1,9 milhão pessoas no trimestre, promovendo uma leve aumento na taxa de participação na força de trabalho, que foi de 56,8%.

Subutilização da força de trabalho:

  • A taxa de subutilização (medida que engloba desocupados, força de trabalho potencial e subocupados) apresentou leve queda, ficando em 28,7%. Esse resultado se deve principalmente à força de trabalho potencial  (pessoas que gostariam de trabalhar, mas não procuraram emprego ou não poderiam assumi-lo), que diminuiu em 720 mil pessoas. Essa redução compensou tanto o aumento da população desocupada (210 mil), quanto subocupada (340 mil).

Posição na ocupação e categoria no emprego:

  • O aumento das ocupações se deu basicamente em razão dos novos trabalhadores por conta própria, que aumentaram em 1 milhão no trimestre, majoritariamente em ocupações sem CNPJ. Além disso, houve crescimento significativo apenas entre os empregados sem carteira no setor privado (340 mil), os servidores públicos estatutários (290 mil) e os trabalhadores domésticos sem carteira (210 mil). As demais categorias permaneceram praticamente estagnadas, inclusive os empregados com carteira no setor privado, que vinham apresentando sinais de recuperação nas divulgações anteriores. Esses resultados vão no sentido contrário das divulgações do Novo Caged, e indicam que a retomada do emprego está se dando mediante um crescimento agudo da informalidade.

Setor de atividade econômica:

  • O principal setor responsável pela atual fase de retomada são os serviços. Os maiores saldos do trimestre foram registrados nos serviços prestados às empresas (310 mil novas vagas), serviços domésticos (230 mil) e serviços de saúde, educação e administração pública (220 mil). Além disso, houve crescimento ainda na agropecuária (260 mil) e no comércio (210 mil). Apesar disso, o comércio segue com o maior déficit anual, acumulando a perda de quase 2 milhões de vagas. A segunda maior perda anual é a da indústria (-1,3 milhão), que ficou praticamente estagnada no trimestre.

Rendimentos do trabalho:

  • A massa de rendimentos habitualmente recebidos caiu 0,9% no trimestre, acumulando queda anual de 6,9%. Com a concentração da retomada das ocupações nas menores faixas de remuneração, o rendimento médio real caiu 2,9% trimestre, mesmo percentual da queda anual desse indicador.

Quadro Sintético


[1] Estudante de Economia na UFSC e bolsista do Necat. E-mail: vicenteheinen@gmail.com.